
Praça do Commercio
da Cidade de Lisboa
Gravura colorida
Gaspar Frois Machado (atribuído)
Séc. XVIII – 2ª metade
Dim.: 625 mm X 435 mm
Museu da Cidade
Vista imaginária da Praça do Comércio tirada do rio, inspirada no projecto de
Eugénio dos Santos. A praça é delimitada por três alas dispostas em U, com
abertura voltada ao rio, ao qual se acede por três cais em pedra, com escadaria.
Junto ao rio dois torreões, cúpulados, rematam as alas laterais e um arco de
triunfal marca o eixo de ligação ao interior da cidade. A centralidade formal e
simbólica da praça é dada pela uma Estátua Equestre, remetendo para o modelo das
Praças Reais europeias.
Assumida como um dos pontos principais do projecto de renovação pombalino, o
desenho para a nova praça real, que no essencial foi definido por Eugénio dos
Santos, vai seguir o discurso iluminista de renovação da cidade, recebendo no
entanto um tratamento tipológico especial que a configura como herdeira do
antecessor Terreiro do Paço, sendo criteriosa a conciliação entre os novos
elementos arquitectónicos com referenciais antigos, de modo a identificar a nova
praça com o imaginário urbano da cidade anterior ao terramoto.
Funcionalmente, a recém designada Real Praça do Comércio, vê reforçado o seu
estatuto económico e mercantil ao incorporar as estruturas renovadas do Arsenal
e da Alfandega, e na renovada linguagem arquitectónica dada pelas galerias
exteriores abobadadas, que remetem para as tradicionais arcarias onde se reuniam
os comerciantes. A evocação do Torreão Filipino é duplamente reforçada,
oferecendo à praça um novo equilíbrio urbanístico e a centralidade vivencial
conferida pelo desaparecido Chafariz de Apolo é substituída pelo reforço
simbólico do poder régio, marcado pela estátua equestre de D. José I.
A petrificação de elementos associados ao poder, tradicionalmente efémeros,
conferida pelo Arco do Triunfo que enquadra cenograficamente o espaço ocupado
pela imagem do rei, a opção de revestimento em pedra dos dois torreões que
reforçam a imagem nobilitada do novo espaço, a par com os demais elementos
arquitectónicos de programa, transformam o antigo Terreiro do Paço na Praça do
Comércio seguindo o modelo formal e ideológico no qual se baseou a Reconstrução
Pombalina.